CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 1607
O filho havido fora do casamento pode ser reconhecido pelos pais, conjunta ou separadamente.

 
 
 
Resumo Jurídico

Desvendando o Artigo 1607 do Código Civil: A Presunção de Paternidade e seus Reflexos

O artigo 1607 do Código Civil estabelece uma importante presunção legal: presume-se concebido na constância do casamento o filho nascido de mãe casada. Esta presunção, conhecida como presunção de paternidade, tem como objetivo conferir segurança jurídica às relações familiares e proteger o núcleo familiar estabelecido pelo casamento.

O que essa presunção significa na prática?

Em termos simples, o artigo 1607 parte do pressuposto de que, se uma mulher está casada, o filho que ela gerar e der à luz durante a vigência desse casamento é considerado filho do seu marido. Essa presunção é relativa, o que significa que ela pode ser contestada e derrubada por meio de prova em contrário.

Finalidade da Presunção:

  • Estabilidade Familiar: Ao presumir a paternidade, busca-se evitar contestações constantes e garantir a estabilidade das famílias, protegendo a criança de incertezas quanto à sua filiação.
  • Direitos e Deveres: A presunção estabelece, de imediato, a base para o exercício dos direitos e o cumprimento dos deveres decorrentes da relação pai-filho, como pensão alimentícia, herança e nome paterno.

Desmistificando a Presunção: Quando ela pode ser contestada?

A presunção de paternidade não é absoluta. O Código Civil prevê situações em que essa presunção pode ser afastada, mediante prova concreta. As principais hipóteses de contestação incluem:

  • Infertilidade do marido: Se for comprovado que o marido era estéril à época da concepção, a presunção pode ser desfeita.
  • Adulterio da mulher: A prova de que a mulher teve relações sexuais com outro homem durante o período de concepção também pode afastar a presunção.
  • Ausência do marido: Se o marido, por motivo de viagem, separação de fato ou outra razão, esteve ausente da residência conjugal por período superior a um ano, a presunção pode ser questionada. É importante notar que a legislação posterior e a jurisprudência têm flexibilizado essa regra, considerando o período de ausência e a possibilidade de reconciliação.
  • Nascimento de filho de pais não casados: No caso de mães não casadas, a presunção do artigo 1607 não se aplica. Nesses casos, a paternidade pode ser estabelecida por reconhecimento voluntário ou por meio de ação de investigação de paternidade.

Ação de Impugnação de Paternidade:

Para contestar a presunção de paternidade estabelecida pelo artigo 1607, a parte interessada (geralmente o marido) pode ingressar com uma ação de impugnação de paternidade. Nesta ação, o objetivo é apresentar as provas que demonstram a inexistência do vínculo de paternidade.

Importância e Impacto:

O artigo 1607, ao estabelecer essa presunção, desempenha um papel fundamental na organização do direito de família. Ele serve como um ponto de partida para a definição da paternidade, mas é crucial entender que se trata de uma presunção que pode ser desconstituída mediante a apresentação de provas robustas, garantindo o direito à verdade biológica e a justiça nas relações familiares.